A luz do celular pode estar detonando sua pele

Cuidado! Telefone, tablet e computador emitem a luz azul HEV Light, radiação que pode ser tão maléfica para a pele quanto a luz do sol.

Por Wilson Weigl

A gente vive grudado no celular. Não tem jeito. Trocamos mensagens pelo whatsapp, lemos e-mails, postamos nas mídias sociais, acompanhamos as notícias, traçamos rotas de carro, fazemos pesquisas, tiramos selfies. Mas se você vive colado aos dispositivos móveis (além do telefone, o tablet e o notebook) considere atualizar seu protetor solar. A luz azul emitida pelos aparelhos pode piorar doenças de pele e causar manchas no rosto.

Os especialistas determinaram o grau de perigo representado pela chamada HEV Light (High Energy Visible Light), a luz visível de alta energia: ela é quase tão danosa para a pele quanto a radiação ultravioleta proveniente da luz solar, por causar inflamação e danos ao tecido cutâneo e agir profundamente no DNA celular. A diferença é que não saímos ao sol todos os dias, enquanto a luz azul dos dispositivos móveis nos acompanha praticamente o tempo todo.

“Proveniente dos smartphones, tablets e computadores, a luz azul é a porção mais energética da luz visível – a parte dos raios solares captada pelos olhos e que permite enxergar os objetos – e está relacionada a patologias como manchas, envelhecimento e câncer de pele”, explica a dermatologista Claudia Marçal, do Espaço Cariz, em Campinas (SP), membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) e da American Academy Of Dermatology (AAD).

Segundo a médica, essa luminosidade estimula a melanogênese (escurecimento causado pela melanina, pigmento que dá cor à pele) e pode piorar os melasmas (manchas) e as doenças com sensibilidade à luz, como o lúpus e a rosácea, que causam erupções e vermelhidão. “Além disso, a luz azul causa inflamação na pele por produzir radicais livres, moléculas que atacam células sadias, causando uma inflamação que danifica sua estrutura”, diz Claudia. “Ao interagir com a melanina, a luz visível gera uma forma de oxigênio altamente reativa que deteriora até o material genético celular, predispondo ao envelhecimento precoce e ao câncer”, completa.

Considerando a quantidade de tempo que passamos na frente dos nossos dispositivos, todos nós precisamos proteger a pele do rosto contra essa luz nociva, da mesma forma que a defendemos do sol.

Se você já é experiente o bastante para usar no rosto todo dia filtro solar (com FPS alto, acima de 30), com antioxidante de preferência, o próximo passo é adicionar proteção contra luz azul ao seu repertório de cuidados para evitar rugas, pigmentação e perda de colágeno (proteína que dá firmeza e sustentação à pele).

O problema é que a maior parte dos filtros solares não oferece proteção contra a luz visível, deixando passar essa luminosidade. Para a luz não ser absorvida pela pele, o filtro deve conter antioxidantes com essa ação de bloqueio, o que geralmente só acontece com os produtos mais caros e sofisticados. Também o protetor solar com cor proporcionam alguma proteção, porque os pigmentos podem barrar a luz visível.

E quais são os melhores ativos de defesa contra a luz azul? “Há o Alistin, antioxidante que neutraliza os radicais livres; o Exo-P, que protege a pele e a integridade celular contra os poluentes, inclusive fumaça de cigarro; o OTZ 10, que neutraliza os subprodutos tóxicos gerados pelo UVA e calor. Os mais eficazes, porém, são o Pro-Shield, que defende a pele especificamente contra a ação dos dispositivos eletrônicos que emitem radiação azul, e o Shield MLDA, extraído do café torrado, que absorve a luz visível neutralizando seus malefícios”, diz Mika Yamaguchi, farmacêutica e diretora científica da Biotec Dermocosméticos.

Esses ingredientes podem ser adicionados aos filtros solares ou cremes anti-idade receitados pelo dermatologista e comprados em farmácias de manipulação. Pedir ao médico uma fórmula pessoal é o melhor caminho, porque o especialista pode bolar um produto perfeito para sua idade e tipo de pele. “Para ser usado no rosto, o filtro solar deve ter FPS de no mínimo 30, garantindo a fotoproteção contra radiação UVA, UVB, calor, luz visível e azul, todos tipos de energia que causam danos à pele”, finaliza a médica Claudia Marçal.

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