Entrevista: Kadu Dantas, o influenciador brasileiro mais famoso do mundo

Em entrevista exclusiva, ele falou para o Homem No Espelho sobre moda, cuidados pessoais, planos, vontades, seguidores e carreira.

Por Wilson Weigl / Fotos: Junior Franch @jrfranch

Só para começar, Kadu Dantas em números, para quem gosta de números:

  • 36 anos
  • 6 anos de carreira como influenciador
  • 257.000 seguidores no Instagram
  • 50% dos seguidores são homens e 50% mulheres
  • 25 tatuagens
  • 1 cachorro (Chloé)
  • Incontáveis viagens

O perfil del Kadu no Instagram traz a seguinte definição: “Um precioso ponto de referência para todas as marcas internacionais que queiram entrar no mercado brasileiro”. Mas não foi ele que inventou isso. Assim o definiu a revista WWD (Women’s Wear Daily), uma das mais conceituadas do mundo, tanto pelo foco em estilo quanto em negócios da moda. Na mesma reportagem, a WWD também salientou que Kadu foi em 2018 “o único influenciador brasileiro convidado para os desfiles das semanas de moda masculinas internacionais”.

Entre uma brecha e outra das viagens sem conta (Kadu se mudou de São Paulo para Milão, para ficar mais perto da sua nova agência, MB New Media Agency, de conteúdo digital), me recebeu em seu apartamento em São Paulo (lindamente decorado e repleto de objetos bonitos que contam histórias, entre lembranças de viagens e presentes das marcas). Ele falou de moda, cuidados pessoais, planos, vontades, sonhos e fez um voo panorâmico sobre sua carreira. “Muita coisa na minha vida mudou incrivelmente nestes últimos anos. Mudei de estilo, de opinião, mas garanto que meu caráter e minha essência permanecem os mesmos”, afirma.

Esse mineiro, jornalista, ex-assessor de imprensa e relações publicas, conquistou há anos respeito pelo Blog do Kadu, hoje deixado meio de lado em prol da carreira de influenciador internacional. Kadu saiu do casulo dos blogueiros brasileiros para entrar, por exemplo, na lista dos “Top 25 Men’s Style Instagram Accounts”, ao lado de ilustres como Adam Gallagher, Jim Chapman, David Gandy, Hypebeast, Mr. Porter, Johannes Huebl e Mariano Di Vaio.

Com 257K no Instagram e fotos postadas e repostadas no mundo todo, Kadu é garantia de retorno para marcas como Montblanc, Farfetch, Jaguar, Riachuelo, Tod’s e Replay, alguns de seus clientes atuais. “Nenhuma marca rasga dinheiro. Elas sabem com quem trabalham, mensuram tráfego e, claro, identificam se a pessoa fez determina a compra a partir do post do influenciador. Ninguém fecha contrato com uma pessoa só porque ela é bonita”, justifica.

O homem brasileiro está aprendendo a se vestir bem?

Acho que está em evolução. No começo do blog eu não podia falar nem de bolsa que o povo ficava arrepiado. Hoje, os homens já entenderam que podem usar a moda a seu favor, já entenderam que podem usar uma bolsa que não seja mochila, que acessórios são legais. Mas é um processo lento, não é da noite para o dia que a cabeça das pessoas muda.

Você quer ajudar o homem brasileiro a se vestir melhor?

Já quis ser catequético, mas hoje prefiro propor uma ideia de moda para quem quiser compartilhar. Porque moda masculina é um assunto que se esgota. É diferente de moda feminina. Na verdade, a moda masculina vive há anos de reinterpretações. Hoje, nos desfiles, nem se fala mais que existe uma tendência. O que há são macro e microtendências, mas no final todas são reinterpretações de conceitos lá de trás.

Como você vê agora a moda masculina internacional?

É muito interessante que, no mundo, a moda masculina de luxo cresce 50% a mais do que a feminina. Só que o Brasil não consegue acompanhar esse ritmo por uma série de fatores. As grifes internacionais estão muito atentas à evolução do mercado masculino e investem nele muito tempo e dinheiro. Só para ter uma ideia, a Versace hoje vende mais bolsas masculinas do que femininas. Então as marcas ficam espertas, elas captam os desejos desses novos homens e, continuando no exemplo, trazem do universo feminino as bolsas reeditadas. A Dior fez isso agora: transformou a bolsa Sela, campeã de vendas do início dos anos 2.000, em diversas bolsas masculinas.

Você acha que os desfiles mostram mais propostas e conceitos do que roupas que realmente vão estar à venda nas lojas?

Olha, hoje não funciona mais assim, porque as marcas mais do que nunca têm que vender. Então precisam mostrar algo que as pessoas sintam desejo de comprar, principalmente no caso do homem. Geralmente o que é mostrado num desfile já vai logo poder ser adquirido na loja.

Como você analisa o atual momento da moda brasileira?

A moda brasileira passa por uma crise, que aliás não é de criatividade, por causa da situação econômica complicada. Não há investimentos, por parte do governo nem dos empresários, o maquinário é ultrapassado, então as marcas patinam muito para se segurar no mercado. Por isso existem no Brasil poucas marcas para homens e as que surgem são muito cuidadosas para conseguir se manter. É muito legal ver essa rapaziada jovem, de 20 e poucos anos, fazendo um trabalho criativo incrível, mas chegam tateando, porque sabem a dificuldade que vão enfrentar pela frente.

Você dá retorno para as marcas?

Se eu não desse retorno não estaria com contratos que já têm quatro, cinco anos. Lá fora o influenciador é reconhecido e respeitado; as marcas investem e pagam o seu valor. No Brasil nosso trabalho é banalizado: as pessoas querem fazer permuta, querem que você seja profissional até mandar o orçamento. Daí querem que seja amador.

Hoje você ganha mais dinheiro ou prestígio com seu trabalho?

Acho que faço um trabalho coerente com o que me proponho e recebo o valor justo. Então estou satisfeito com os resultados. Não digo mais que sou blogueiro, até nem tenho mais atualizado o blog, porque o mercado mudou. As marcas preferem trabalhar com o Instagram ou a presença do influenciador. Se voltar a demanda pelos blogs, volto a postar. Não vejo nenhum problema, afinal sou jornalista.

Como vê sua responsabilidade perante seus seguidores?

Levo muito a sério minha relação com eles. Não subestimo seus seguidores. Eles me acompanham porque se identificam com o que faço. Sabem que eu só posto o que gosto de verdade, porque posso escolher com quem trabalhar. Então tudo é muito real. Quando gosto de alguma coisa, fica muito explícito, estampado: “Gostei”. Por isso é que não dá para trabalhar com marcas com que não me afino. Não sei mentir para meus seguidores dizendo “compre isso”, se eu mesmo não gosto. Não faz sentido.

O que mudou em 6 anos no jeito de encarar seu trabalho?

Durante muito tempo não tinha muita noção da proporção do meu trabalho, como as marcas me enxergavam, até porque não parava para pensar. Só ia fazendo. Quando comecei o blog, na época em que fechei a assessoria, foi um momento difícil principalmente em termos financeiros. Eu poderia ter feito contratos com um monte de marcas, mas me recusei porque não tinham a ver comigo. Mesmo assim só depois de um tempo percebi a relevância do meu trabalho. Descobri isso até conversando com as pessoas, que foram me abrindo os olhos sobre a forma como impactava as pessoas. Hoje sei qual é meu lugar.

Você ganha muita roupa, é claro. Mas compra muito também?

Já fui bastante compulsivo por compras, mas hoje sei avaliar o que funciona em mim e, principalmente, se vou mesmo usar aquela peça. Isso é um dos pontos que tento passar para meus seguidores: o grande lance é você ter certeza de que vai usar a roupa que está comprando. Não pode comprar simplesmente porque gostou e quer. Pergunte-se: “Mas vou mesmo usar?”. Senão, fica tudo empacado no armário.

Você recebe muitas críticas e comentários maldosos dos seus seguidores?

Graças a Deus não tenho haters, gente que fica me xingando… Agora, tem todo tipo de seguidor, não é? Tem gente que segue você porque gosta do seu look, outras porque acham você bonito, porque posta foto de sunga ou porque posta foto do seu cachorro. Respondo a todo mundo, tanto faz se está comentando meu look, falando do meu corpo, do que estou comendo, se diz que queria ficar comigo, se quer comprar a blusa que estou usando… Curioso é que meu Instagram é equilibrado: 50% dos seguidores são homens e 50% mulheres, o que é muito raro. Para mim, todo mundo é bem-vindo.

Acha que as pessoas estão vendo mais Stories porque querem espiar a vida alheia?

Acho normal as pessoas quererem saber da sua vida, onde vai, com quem anda. Big Brother, né? É normal a curiosidade do ser humano. O lado bom é que as pessoas gostam de se sentirem próximas a você. Por isso acho a tecnologia uma coisa fabulosa. Na volta dos três meses fora do Brasil fui almoçar com a família e meu irmão disse: “Nossa, parece que te vi ontem, sei tudo que você fez”. Pois, é, essa é a maravilha da tecnologia, das mídias sociais: aproximar mesmo as pessoas. Mas tem que gostar disso tudo, né? Eu adoro.

O que você gosta de fazer?

Ir pra academia, ouvir música, sair à noite, reunir meus amigos em casa. Como passo muito tempo fora, quando estou em casa quero mesmo é ficar em casa, com meus amigos. Tenho vontade de fazer várias coisas mas não tenho tempo. Gostaria de estudar idiomas, aprender a tocar piano… O que mais amo é viajar sem compromisso de trabalho, sem ter que me preocupar com post.

Como é sua rotina de cuidados pessoais?

Só faço a barba no barbeiro, uma vez por semana, porque estou usando bigode e acho impossível deixá-lo bem feito em casa. Já tentei, estraguei, porque sou meio descoordenado. Uso diariamente protetor solar e um sérum facial antioxidante que controla a oleosidade e previne espinhas. No banho, lavo o rosto com sabonete facial e, à noite, uso de novo o sérum, que é multifuncional. Faço preenchimento com ácido hialurônico no dermatologista, mais para contornos. Tem épocas em que estou com mais vontade de me cuidar. Por exemplo, acho que esse sérum é ótimo para homem, porque homem é preguiçoso. Eu sou, sabia?

Que perfume você está usando atualmente?

No momento uso o L’Horage, um dos lançamentos masculinos da Louis Vuitton. Tem uns perfumes que eu amo, como o Higher, da Dior, e o Ginepro di Sardegna, da Acqua di Parma. Nossa, eu amo Acqua di Parma, é muito mara! Mas acho que tenho perfume suficiente para três reencarnações!

https://www.instagram.com/homemnoespelho/

 

15 Comentário

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